coffee and cigarettes

você tem meia hora pra mudar a minha vida.

Era uma vez no quarto [perguntas retóricas]. Julho 11, 2009

Arquivado em: [era uma vez], [sem título] — edgeof7thfloor @ 6:31 pm

- Você e o Leo acabaram?

- Se eu fingir estar dormindo posso não responder? – perguntas retóricas nunca foram meu forte. O que são perguntas retóricas mesmo?

- Não adianta. Sei que você está acordado. – e lá se ia a proteção de meu lençol. Não estava mais imune a nenhuma pergunta.

- O que você quer? – sorte não ter um espelho em frente à minha cama. Sempre evitei meu reflexo quando acordo. O efeito que os lencois exercem sob meus cabelos é absurdo.

- Nunca entendi o motivo de você insistir em usar de cinismo comigo. Até parece que não sou sua irmã querida. – Amanda sabia, como ninguém, me tirar do sério. – Você fumou? Está um cheiro de cigarros insuportável aqui.

- Dá para levantar da minha cama, por favor? – já me bastava o instinto invasivo de Amanda, mas sentar na minha cama, para falar de um assunto incoveniente? Por favor! – Se quiser, sente na cadeira.

- Não precisa ficar com vergonha de estar pelado. O Rafael sempre dorme pelado comigo. O que você tem vejo todos os dias. Além de que sou sua irmã mais velha, troquei suas fraudas. Dei banho em você. – pelado? Ela é louca!

- AMANDA… não estou pelado. Mas, POR FAVOR, – espero ter dado a ênfase necessária ao pedido. – VÁ PARA A CADEIRA!

- Tudo bem. Tudo bem. Não precisa ficar nervosinha.

- NERVOSINHA? – odeio ser tratado com substantivos femininos. – Você sabe que ODEIO quem me trata desta forma.

- Eu sei. Por isto te trato assim. – ela estava inquieta. Vasculhava cada parte do quarto com os olhos enquanto me respondia sempre com um sorriso sarcástico. – Antes de continuarmos o assunto, onde está o cigarro?

- Cigarros? – tentando me cheirar o mais discretamente possível para a verdade não ser tão evidente, olhei para minha calça. Será que eu estava fedendo tanto a cigarro? – Eu não fum…

- Só quero saber a localização deles.  Prometo não contar a ninguém sobre seu novo vício. – o desespero estava registrado naquele olhar.

- No bolsa de minha calça. – me rendo.

- Obrigada. Estava precisando de um. – sorrindo-me, pegou um malboro e andou tranquilamente até a janela. Abrindo-a, acendeu o cigarro. -Cof, cof, cof…

- Não sabia que você fumava. - não era uma ironia.

- Não fumo desde… – momento pensativo de Amanda. São raros estes. – quando fui ao motel com Rafael pela última vez. Em torno de uns trê…

- Ok! Já entendi. – minha imaginação transitava por cenas jamais pensadas. Não precisava de maiores detalhes.

- Pronto. Salvei sua vida. Este não será o cigarro que irá matá-lo. Você fica me devendo esta. – foram pouco mais de duas tragadas e o cigarro voou pela janela do prédio. – Este é o dever de uma irmã mais velha. Cuidar para que seu irmão não entre em vícios errados. – vícios errados? Será que existem vícios certos? – Agora me fale. E o Leo?

- Não tem nada para falar. – o assunto mudava de uma forma assustadora com Amanda. Da melhor irmã do mundo, a pior apresentadora de talk show do Brazil. – Não estamos mais juntos. Só isto.

- Só isso, senhor cinismo? Você considera “só isso” um namoro desde… – momento pensativo parte dois. Seria melhor que este não fosse tão preciso quanto o anterior. – seus 15 anos?

- 16. – ela estava certa. Mas não era bom deixá-la saber disto.

- Não importa. Vocês têm uma história juntos. Nem sua “viagem”… – sempre odiei este símbolo de aspas feito com os dedos. É de tamanha redundância. A própria pronuncia é capaz de me fazer entender que é necessário o uso de aspas na palavra em questão. Não sou retardado. – separados. – próxima vez prometo não devanear a ponto de perder o assunto.

- É. – concordando talvez ela vá embora. Conhecendo Amanda dará abertura a novas perguntas.

- Como assim, “É”? – não se distraia com o sinal de aspas. Ele é perigoso. – Quer dizer que existe outro alguém? – e mais uma vez me mostro certo.

- … hum. – responda logo. Quanto mais demorada for a resposta maior será a probabilidade de novas teorias. Concorde. Assim ela irá embora. – É. – isso. Balançar a cabeça transpassa maior credibilidade.

- Existe? Quem é está pessoa? – como posso confirmar uma das teorias de Amanda? Onde estou com a cabeça? Quero um cigarro. - É o espanhol? Ele ligou? Ou já é um brasileiro? Como ele é? Qual a idade? O que faz da vida? Como foi a reação do Leo? Vocês já transaram? Você foi ativo? Foi passivo? – ativo? Passivo? Descubro seu nome ontem e as perguntas sobre preferências sexuais aparecem em minha frente. – Se bem que você ser ativo é um pouco difícil.

- Como? – a última frase foi dita entre os dentes. Talvez a tenha entendido errado.

- Nada. – o sorriso formado em seus lábios respondeu diferente das palavras que deles sairam. – Qual o nome dele? O que ele faz? Me conte tudo.

- O nome dele -  não adiantava mais resistir. – é Fernando. Ele é m… – BUÁÁÁ… honestamente; preciso comprar um presente para o Rafinha. Sempre ele a me salvar de Amanda e suas perguntas. Seriam estas as retóricas?