coffee and cigarettes

você tem meia hora pra mudar a minha vida.

A Procura da Roupa Perfeita. Julho 16, 2009

Arquivado em: [sem título] — edgeof7thfloor @ 4:28 am

     Camiseta? Muito simplicidade. Camisa social? Muita seriedade. Regata? Nenhuma seriedade. Gola pólo? Muito esportiva.

     Listrada horizontalmente? Não, elas engordam. Listrada verticalmente? Me deixam esquesito. Estampada? Careta. Lisa? Básica. De marca? Playboy. Quanta variedade, de dúvidas. 

     Cor… primeiro a cor. A mensagem transmitida por ela é mais importante que o tipo de camisa…. Que tal verde, a cor da esperança?… Não, não. Parecerei um desesperado, esperançoso pelas possibilidades deste jantar. Amarelo, cor do otimismo. Continuarei desesperado. Além de horrível. Que camisa feia. Que tal vermelho? A cor da paixão. Pode vir quente que eu estou fervendo? Não, muito oferecido… Branco? Promete amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe? Muito puritana. Preto, cor neutra. Nunca falha… principalmente em um enterro. Cinza! Boa escolha. Preciso mesmo de mais um indicativo de meu medo. Bege, melancólica. Azul, não lembro o significado. São tantos tipos, cada um com um significado. Roxo, depressiva. Marrom, pouco espontânea. Rosa, muito espontânea… Ótimo; esgotei todas as possibilidades de camisetas do meu guarda-roupas.

     Tentarei primeiro escolher a calça. Talvez ajude com a camisa. Certo. Calça social? Muito séria para a ocasião. Bermuda? Nem pensar. Jeans básico? Muito comum. Skinny? Muito gay. Cargo? Muito casual. Xadrez? Muito alternativa.

     Que tal começar pelo perfume? O cheiro me ajudaria a sentir a roupa. Cítricos, nunca falham. Exatamente por isto não usarei. Muito previsíveis. Chipre; muito clássico e sofisticado. Amadeirados? Tão comuns. Fougères, nunca gostei deles. O cheiro me enjoa. Só me restam os orientais. A mais intensa experiência olfativa. Como ainda tive dúvidas quanto a esta escolha?

     Ótimo. Já tenho o perfume. Agora, a cueca. Ou poderia ir sem. Não, muito vulgar. Além da possibilidade do acontecimento de acidentes de percurso. E claro, ser posto em situações bastante constrangedoras. Como minha pele é muito clara a cor, sem dúvida, será preta. Agora o tipo. Como não tenho outro tipo, nem gosto de outros tipos, será a infalível boxer. Todas as eescolhas da vida poderiam ser tão simples quanto esta.

     Perfume e cueca já escolhidos. A meia não seria um problema, básica e branca. O sapato! Nossa; como pude esquecê-lo? Social, tênis, sapatênis, sandália? Calma. Este seria diretamente dependente da escolha da camisa e da calça. Então, melhor me concentrar nisto primeiro. Sinto estar esquecendo algo… mas, o que poderia ser? Perfume, cueca, meia; escolhidos. Camisa, calça, sapatos; a escolher. O que mais poderia ser….?

     Contei nos dedos; camisa, calça, meia, cueca… perfum… O BANHO.

     Corri ao banheiro tirando minhas peças de roupa. Não queria sequer olhar as horas. Sabia que esta minha indecisão quanto à roupa levou tempo suficiente para Fernando sair de casa. Visto a bagunça em meu quarto, seria possível a terra ter superado o aquecimento global, vencido a fome na África… Sem ideologias sociais. Foque suas energias no banho.

     Camiseta verde lisa, jeans básico e tênis? Camisa social preta com listras verticais, calça cargo e sapatênis? Pólo marrom com listras horizontais, calça xadrez e havaianas? Quanta informação. Camisa amarela lisa, bermuda e tênis? Como está combinação vira uma hipótese em minha cabeça? Skinny, camiseta rosa e all star? WMCA. AAHHH… Lá estava eu, molhado, correndo pelo quarto, com a toalha caindo pela cintura, sem uma roupa escolhida. Que situação. Só faltava o… Nossa, não faltava mais nada. Celular vibrando. Desconhecia a força do meu pensamento. Antes de pensar no fato, ele se realizava.

     Tudo que não podia acontecer acontecia. Exceto a materialização de minha roupa. Ok, era hora de um novo teste, à força do meu pensamento.

- THALESSSSS… TEM UM HOMEM MAIS VELHO E BONITÃO LHE ESPERANDO. – Amanda sempre a me envergonhar. Espero que Fernando tenha senso de humor, e use como motivo de gargalhadas. – JÁ ESTÁ PRONTO?

     Era Fernando. Tanto em meu celular, quanto em minha casa. Desespero.

- ESTOU SIM. SÓ UM SEGUNDO. – precisei desta mentira para assegurar alguns minutos extra. Agora não poderia mais divagar sobre a roupa. Seria guiado apenas pela intuição.

     Primeiro a cueca, preta. A meia, branca. A calça… jeans básica. Sapato; all star preto. Camisa…

- Não sei qual, não sei qual. – todas aquelas definições de cores continuavam a alimentar minha indecisão.

- FALOU ALGUMA COISA, THALES? – verbalizações de pensamentos. Sempre atrapalhando minha vida.

- NÃÃÃÃOOOO…

     Preta e lisa. Combinaria com a cueca. Perfume, oriental. Coloquei os óculos, não havia tempo, tampouco concentração, para colocar as lentes. Cabelo? Também não havia tempo. Em frente ao espelho, olhando o visual mais básico possível, assanhei-os. Era o melhor a ser feito. Pronto, estava arrumado. Nada mais me impedia de sair do quarto. Só a falta de coragem. E se ele não gostasse desta roupa? Se preferisse a camisa vermelh… sem hesitações. Apenas ande, torna tudo mais fácil.

     Meu relógio marcava 20:04. Nossa, quanta pontualidade.

 

4 Responses to “A Procura da Roupa Perfeita.”

  1. T!baH Says:

    ele é pior que eu pra escolher oq vestir

  2. Maria Reis Says:

    adoro esse drama pra escolher roupa.

  3. Ricardo Says:

    mt bem reproduzido a indecisão do que escolher pra vestir!

  4. Daura Says:

    Ei… quem disse que roxo é depressivo?????? gostei não!


Leave a Reply