
- Quer dizer que você tem 15 aninhos? – gargalhadas polvilhadas com sarcasmo. Por me proporcionar esta experiência inesquecível, dedico meus sentimentos à cerveja. Na verdade, 5 cervejas… Tudo bem, tudo bem. Foram 12, assumo.
Temendo a capacidade de embriaguês de bebidas fermentadas, deixei todas as 12 por conta de Leo. Enquanto acompanhado por uma dose de vodka com limão, ria dos sintomas de sua bebedeira. Ao mesmo tempo que rezava pela minha sobriedade. Por isto o limão. Para disfarçar o gosto forte do álcool. Não que isto me mantivesse sóbrio. Apenas ajudaria com as ânsias. Dia quente, bebida forte. Não queria vômitos celebrando o fim da tarde.
- Sim, 15 anos. – malditos sejam os que inferiorizam os adolescentes por sua idade. – E você? 20 e quanto? – senhor mais velho. Mais perto da invalidez, esterilidade. Mais perto da morte. RÁ!
- 20? Tenho 17 . – 17? Rindo da minha idade com toda esta diferença de dois anos?
- Qual o motivo da graça se temos praticamente a mesma idade? – Não culpe o rapaz encantador, não culpe o rapaz bonito e encantador. Culpe a cerveja.
- Desculpe. Mas você é tão novinho. Tenho medo que se apaixone por mim. – e quanta prepotência estes dois anos acrescentaram em sua personalidade… Ou será que foi a cerveja? Ao menos a barba era devido à idade, não ao álcool.
- Eu? Thales? – quem mais seria? – Apaixonado? Por você? – mais uma dose de vodka e eu concordaria. – Nos conhecemos hoje rapaz. Você nem sabe se sou gay. – será que sou tão pintoso assim? Culpa das malditas bonecas na infância. – Mais uma dose de vodka, por favor. Preciso beber para não conc… – …ordar. – rir.
- Não precisa ficar envergonhado. – bebeu a cerveja. Das duas uma; ou o copo hesitava ir em direção à sua boca, ou ele não estava mais em condições de levá-lo ao local certo. Parte da cerveja escorria em seu ombro. – É fácil ficar apaixonado por mim. – não se todos o verem vesgo como vejo. – Você não seria o primeiro. – Sorriu entre espumas de cerveja. Apenas o primeiro a vê-lo assim e se apaixonar.
- Acho que preciso ir. – acho? O dia, transformado em noite, gritava-me esta necessidade.
- JÁ? – não precisa cuspir tanto. – Ainda estamos na décima cerveja.
- Décima segunda. – correção.
- Décima segunda, que seja. Então, por que ir agora? Está cedo. Ainda são oito horas. – cedo para você.
- Não posso chegar tarde em casa. Minha… – prepare-se para a gargalhada. – minha… – respire fundo. Feche os olhos, talvez ajude. – mãe brigaria comigo… – ótimo. Você acaba de destruir qualquer oportunidade de beijar esta linda boca rosada. – Gostaria de ficar, mas já estou bastante atrás… – oi? Com… Não interessa. Apenas o beije.
………………………………………………… Mente vazia modo on ………………………………………
- Não é bom você deixar sua mãe preocupada. Vá logo. – ……. – Vou beber mais uma e também vou. Estou cansado e um pouco bêbado. – incrível. Demorei alguns segundos para recobrar a noção dos pensamentos. Foi tão inusitado. Tão romântico. Tão sexy. Além de, momentaneamente, separar-me de meus pensamentos. – Diga a sua mãe que quero conhecê-la. Saber quem é a mulher capaz de afastá-lo de meus encantos. – também queria conhecê-la. A mãe que conhecia não era capaz disto.
- Direi a ela. – minha mãe era a última pessoa em quem queria pensar agora… Inspira. Expira. Inspira. Expira. Ins…
- Você não precisa ir?
- Estou indo. Só estava descansando porque perdi o… – cale a boca. Não precisa dizer que perdeu o fôlego com o beijo. Levante. – Estou indo. – agora ande. – Estou indo. Até mais.
- Esqueceu seu vinil de Elvis e o cd de Britney. Ou foi deixado de propósito como uma desculpa para me ver? – sorria, foi engraçado. Calma. Ande. Pegue a sacola. Cuidado para não balançá-la muito com sua tremedeira. Sorria novamente. Volte ao… – Vem aqui. – obrigado por segurar meu braço. Agora saberia de minha tremedeira. – Quero um beijo de despedida. – ………….. mesno efeito calmante e esvaziador de pensamentos. – Passe lá na loja amanhã. Largo no mesmo horário.
- Ok. – nos veríamos amanhã. Era um encontro. Sentiria este beijo novamente.
- Não. – não? Como assim? Não nos beijariam… – Você não parece gay. – claro que era isso. Afinal, ele não lia pensamentos… Espero. – Eu que estou bêbado o suficiente para insinuar isto. Desde que nos encontramos na loja estou te paquerando. Você não correspondia. Tive que arriscar… – sorri. – Agora vá. Não quero que a bronca que você levará de sua mãe seja tema de nossa conversa amanhã.
- Ok.
- Cinco horas. Não se atrase. – claro que não me atrasarei.
- Não se preocupe. Estarei lá. – andei.
A única lembrança de nosso beijo era o gosto de cerveja em meus lábios. Até que bebidas fermentadas não são tão ruins.
até eu fiquei sem fôlego dps dessa…
Enfim, cheguei aqui. Agora vamos comentar!