
- E assim completamos um ano. – e assim acabei mais uma dose de vodka. Preciso de outra, antes de passar o efeito e o desabafo parar.
- De namoro.
- Namoro? Não tinhamos um relacionamento, que dirá um namoro. Era algo sem nome, mas bom o suficiente para não querermos definir. Estávamos, exclusivamente, juntos. Mas, escondidos. Ninguém sabia sobre nós.
- Por quê? – tem certeza que você é médico e não analista?
- Ele sempre quis o máximo de descrição possível. Só dizia que era o jeito dele. Visitas à loja de cd’s. Tardes em bares. Conversas, cervejas… alguns poucos beijos escondidos. E cigarros, muitos cigarros. Eu sempre era passivo. Como fumante, claro. Não na cama. Na cama eu… – CALE A BOCA. Você está passando vergonha. Assumir a preferência na cama logo no primeiro encontro? Não faz isso comigo, vodka.
- HAHAHAHAHHA… – meu Deus. Estou me envergonhando tanto. – Desculpe… prometo me controlar e não rir.
- Eu que peço desculpas. Falando coisas sem sentido. – é bom se controlar da próxima vez.
- Foi então que vocês decidiram morar juntos? – mais um gole de vinho. Será que médicos têm uma maior resistência a álcool? Quantas taças já foram? Duas, seis… sete. Sete taças.
- SETE?
- Sete? – DROGA. PARE DE VERBALIZAR PENSAMENTO. Você é louco? E onde você enxergou sete taças? Têm apenas cinco na mesa. A mesma quantidade de doses de vodca que você bebeu. IDIOTA. Enfim… – Você está bem? – estou fazendo papel de idiota? Não agora, não agora. Você está falando sobre dez anos de sua vida que nunca foram desabafados. Não perca o foco agora. Por favor. – Prefere mudar o assunto?
- Não. – TRAC… ótimo. Você conseguiu chamar atenção em um dos melhores restaurantes da cidade. Lembre-se de nunca mais bater os talheres no prato. Nunca mais.. – Desculpe.
- Já podemos ir embora se quis…
- No dia que completamos um ano planejei acabar. Um ano, e permanecíamos da mesma forma que começamos, como amigos que se beijam. Isto não me agradava… não mais…
[em produção]