

Sabe, os segundos parecem não passar enquanto permaneço com este papel em mãos, tentando exorcisar de meu ser sentimentos tão angustiantes. Não me permito. Vejo-me tão nostálgico, envolto em momentos de reconfortante silêncio, onde nossos independentes olhares buscavam suas mútuas dependências.
Nada mais é igual. Vivemos nossas vidas afastados, longe do eco ludibriante de nossa sintonia. Sou incapaz de ver-te, agora envolto em uma barreira de fumaça que ergo sobre nós.
Esta é a forma que encontrei para preencher meu vazio. Inflá-lo com algo menos sólido a ponto de um possível abalo não danificar minha frágil estrutura.
Agora vais, anjo torto. Cativas tantos outros como a mim cativastes. Destroi mais estabilidades, como fizestes com a minha. Alimenta tu’alma. Causa mais lágrimas e tormentos.
Todavia, não retornes ao meu abalo. Não te atreves a afastar de mim, com o farfalhar de tuas asas, o asílo fornecido por este inebriante cigarro.
Partes para longe, em terra virgem de ti. Estarei na surdina, observando o teu farfalhar, que de longe, vem abalar a mim.
Eles Dizem