coffee and cigarettes

você tem meia hora pra mudar a minha vida.

Adeus. novembro 6, 2010

Filed under: Uncategorized — edgeof7thfloor @ 11:40 am

Sabe, os segundos parecem não passar enquanto permaneço com este papel em mãos, tentando exorcisar de meu ser sentimentos tão angustiantes. Não me permito. Vejo-me tão nostálgico, envolto em momentos de reconfortante silêncio, onde nossos independentes olhares buscavam suas mútuas dependências.

Nada mais é igual. Vivemos nossas vidas afastados, longe do eco ludibriante de nossa sintonia. Sou incapaz de ver-te, agora envolto em uma barreira de fumaça que ergo sobre nós.

Esta é a forma que encontrei para preencher meu vazio. Inflá-lo com algo menos sólido a ponto de um possível abalo não danificar minha frágil estrutura.

Agora vais, anjo torto. Cativas tantos outros como a mim cativastes. Destroi mais estabilidades, como fizestes com a minha. Alimenta tu’alma. Causa mais lágrimas e tormentos.

Todavia, não retornes ao meu abalo. Não te atreves a afastar de mim, com o farfalhar de tuas asas, o asílo fornecido por este inebriante cigarro.

Partes para longe, em terra virgem de ti. Estarei na surdina, observando o teu farfalhar, que de longe, vem abalar a mim.

 

[Silêncio] junho 19, 2010

Filed under: [sem título] — edgeof7thfloor @ 2:33 am

- Esta foi a primeira vez em que declarei o óbito de um paciente aos seus familiares.

- Ele morreu? – imagina… Declarar óbito do paciente foi uma expressão usada apenas para dar peso à história, claro. O paciente não morreu. Está vivo e feliz ao lado de seu parceiro, e alguns cachorros adotados. Idiota!

- No mesmo dia. Não sei nem como resistiu por tanto tempo.

- Quer dizer que esta felicidade durou um dia? Nossa… – nada de cachorros ou casamento para este casal.

- Você também limita sentimentos à morte? Pena, pensei ter ensinado algo.

- Não… eu… não… – CALE A BOCA. NÃO PIORE A SITUAÇÃO.

- Não se preocupe. A vida possui uma sabedoria superior a minha. Mostrará mais rápido seu erro.

Parabéns a você que não sabe o momento de calar. Parabéns a você que tentou filosofar. E parabéns a você, Fernando, pela ótima resposta. E são por estes motivos que você não deveria mais filosofar, Thales.

- O enterro foi pior.

- Como pior? Ao menos em um enterro a dor é compartilhada.

- Concordo. Mas como dividir uma dor sem alguém perto?

- Não se divide. – que pergunta idiota.

- Exato. Ele estava só. O rapaz, que para mim, continua sem nome. -e você, continue calado, Thales. Não se intrometa neste desabafo. – Engraçado isto, não acha?

- Humm…. – responda apenas isto. Bom garoto. – Onde está a graça no que você diz? – droga… Quem deixou você responder? Agora ele vai lhe achar idiota.

- Sei o nome apenas do rapaz que morreu, Marcos Cavalcanti. O que continuou vivo, é um anonimo.

- Ahhh… Faz sentido. -mais sentido faria você se calar… Lembre, isto é um desabafo. – E a família…

- Poucas são as famílias que, como a sua, aprovam este tipo de relacionamento. Pelo que me pareceu estes rapazes abandonaram tudo para estarem juntos.  Inclusive suas famílias.

- Como você sabe tanto? – boa pergunta, Thales. Assuste-o fazendo parecer que você é um controlador.

- Também estive presente.

- Por quê? – continue com este inquerito, Thales. Fará muito bem ao relacionamento todas estas perguntas. – O que fez você se interessar tanto nesta morte?

- Nada… nada em especial. – dois indícios de mentira… o falhar da voz e o desvio dos olhos. Você é um péssimo mentiroso, Fernando. – Foi minha primeira falha. Devia esta homenagem a ele. Afinal, a dedicação de um médico à profissão é para nunca deixar um paciente morrer em suas mãos. Só que você não se sabe disto até alguém morrer.

- Você encara a morte de uma forma muito profissional. “Minha primeira falha”. Estas palavras não condizem com tudo que antes você pregava. – de onde você está tirando esta linha de pensamento, Thales? Perfeita!

- Desculpe mas não concordo com seu comentário.

- Tratar a mesma morte que minutos antes pareceu lhe ensinar uma lição como uma falha. Principalmente tendo visto o efeito dela em outra vida… Custa acreditar que ambas visões partiram da mesma pessoa, concorda? – onde foi que você aprendeu a ser tão incisivo, Thales? Começarei a respeitá-lo mais.

- Você não… eu estou….

- Sem palavras? Notei.  – não te reconheço, Thales. Onde vive esta sua parte? Nunca a vi por essas bandas. – Desculpe. Não tinha intenção.

- Desculpar? Sinto muito, mas isto não farei. – nota mental: nunca mais deixar esta sua versão assumir o controle. – Não posso deixar alguém pedir desculpas por expressar sua opinião. Principalmente quando totalmente correta.

- Como?

- Você tem razão. Não faz sentido nada disto. – ponto para este seu lado, Thales. Vou descobrir onde ele mora hoje mesmo e convidá-lo a conversar com você mais frequentemente. – Tenho medo de você, Thales.

-Medo? Nossa… sinto-me lisongeado. Sempre desejei gostar de alguém que sentisse medo de mim.

- Hahahah… Você me encanta, bobo. Tenho medo por precisar usar disfarces com você. Nem consigar.

- Por que isto lhe assusta? – que pessoa complicada.

- O desconhecido assusta. Esta sinceridade é novidade para mim. Sou de uma família altamente tradicional. Preocupada em como seria retratada na coluna social. Sou caçula de 3 homens. Não provei de uma verdadeira educação como a sua. Fui ensinado, ou melhor dizendo… treinado a fingir. A não causar vergonha…

- Não precisa se preocupar mais com isto.

- Não? Eles ainda são minha família. Nada mudou.

- Você mudou. Não precisa mais seguir os padrões impostos pela sua família. Você é adulto. Bem sucedido. Eles irão se orgulhar de você, não importa o que seja.

- Não é bem assim.

- Como não? Você é médico. Cirurgião de renome internacional. Professor de uma das maiores universidades do país. Dizer inteligente seria redundandia. – ainda bem que você concluiu isto sem minha ajuda. – Tem um sorriso lindo. Uma incrível presença de palco. – para não lhe chamar de lindo. – E uma…

- Filha de 3 anos.

- Exatamente. Uma linda filha de… – O Q… – UÊ?

- Eu sou casado, Thales. Casado há 5 anos. Pai de uma garotinha de 3 anos. A espera do segundo filho.

[em produção]

 

[sobre medos e perdas] junho 15, 2010

Filed under: [intervalo] — edgeof7thfloor @ 3:00 pm

- É o senhor quem está aguardando notícias sobre o paciente Marcos Cavalcanti?

- Eu mesmo.

- Procurei o senhor por todo hospital. Algumas enfermeiras me disseram que o viram na lanchonete.

- Senhor? Tenho 22 anos. Não é para tanto.

- Desculpe, não pen…

- Aqui estou. Pronto para escutar as novidades.

- Bem… Não acha melhor sentar para podermos falar melhor sob…

- Não precisa. Da palavra complicação à palavra morte… Sei tudo que você dirá.  “Complicação”… Engraçado, o termo médico utilizado quando algo foge o controle.

- Não… mas, o senhor, não…

- Não se preocupe. Assisto vários programas médicos. “O quadro do paciente evoluiu de forma rápida. Tentamos de várias formas estabilizá-lo para que fosse possível uma intervenção cirúrgica. Por volta das 18h de hoje ele teve uma parada cardiorrespiratória. Conseguimos reanimá-lo, mas por volta das 19h ele não mais respondia. Fizemos o que foi possível, mas ele não resistiu.” Creio que errei alguns termos técnicos, mas não fugi a realidade. “Hora do óbito, 19h 13min.”

- Sei que não é profissional, mas gostaria de saber qual a relação de vocês?

- Qual você acha que é nossa relação?

- Bem… Existem algumas possibilidades…

-Algumas? Quanta limitação! Existem inúmeras possibilidades de relacionamento entre duas pessoas.

- Dentre essas qual a sua?

- Não importa. Tragédias como a morte e dever dinheiro são capazes de destruir qualquer relacionamento…

- Serei eu o limitado?

- Não venha me chamar de limitado agora. Você não tem este direito. Não depois de me forçar a experimentar as limitações da vida.

- Não sou eu a limitá-la.

- Tão pouco eu. Fiz de tudo, caso não pareça. Tentei. Pedi a ele para aderir o tratamento. Ele não quis. Limitou nosso relacionamento.

- Há quanto tempo ele sabe do câncer?

- Tempo o bastante para o tratamento surtir efeito. Teria dado certo. Mas não, escondeu. Não contou a ninguém. Preferiu não se tratar. Quando descobri já estava em estágio avançado. Ele estava muito magro. O vi vomitar sangue algumas vezes… Agora está morto.

- Por que só agora? Depois de resistir tanto ao tratamento. Por que procurar ajuda médica? Para passar em um hospital seus últimos dias?

- Eu o trouxe. Não poderia deixá-lo morrer desta forma. Com tudo inacabado. Tinha, tenho, muito a falar. Perdi minha oportunidade.

- Por que não antes? Não entendo.

- Ele disse que queria morrer assim. Estava feliz. Não queria sofrer.

- Ele me disse que sempre quis morrer ao lado de alguém que o amasse. E esta era a oportunidade. Por que adiar o inevitável e arriscar uma solitária morte?

- Isto não é justo. E eu, onde fico? Sozinho? Com este sentimento de culpa?

- Isto eu não posso responder.

- Não espero uma resposta sua. Muito menos a possibilidade de reparar meus erros. Esperava só pedir perdão… Merda. Isso não é hora de chorar.

- Isso é normal. Não precisa se preocupar. Pode chorar.

- Não me preocupo com você. Só queria entender como ele conseguia. Suportar o peso de uma doença. Suportar o peso de minhas traições. E ainda sorrir à noite, ao me ver.

- Isto só ele pode responder. Tanto isto, quanto o perdão que você precisa.

- Sei disto.

- Esperando você estar mais preparado.

- Como?

- Por isto veio ao hospital… Queria ter mais tempo. Queria lhe dar mais tempo. Queria viver até você estar preparado para perdir perdão… Ele não queria causar culpa em você.

- Cala a boca! Quem você pensa que é para saber tudo? Você não sabe nada.

- Queríamos entender sobre a  resistência do paciente ao tratamento oferecido. Desde o início o questionamos. Ele só me contou  por volta das 18h; após o reanimarmos, como você disse. Fez-me prometer não contar a ninguém.

- …..

- Talvez não o reste mais que algumas horas. Seria bom vê-lo e pedir este perdão antes das 19h e 13min, como você disse. Não acho bom carregar o peso de uma morte antes de consegui-lo.

- Ele ainda nã…

- Em nenhum momento declarei o óbito do paciente. Você tirou suas conclusões. Aproveitei para tirar as minhas sobre você.

- Seu…

- Já o testei o bastante. Você até perdeu a noção do tempo. Ainda são 18:47. Pelo seu laudo o óbito ocorrerá às 19h 13min. Correndo você ainda consegue. Quarto 401. Boa sorte.

- …

- Espero que consiga.

- Obrigado, Dr. Fernando.

 

[diálogo aleatório] junho 10, 2010

Filed under: [intervalo] — edgeof7thfloor @ 2:38 pm

- Em que você está pensando agora?

- Hum… Em tempos passados. Onde olhar o mar era apenas olhar o mar.

- E em que isto mudou?

- Você está olhando o mesmo que eu. Como não consegue enxergar? Olhe…

- Estou olhando.

- E…?

- E… O de sempre… Água. Ondas. Imensidão. Uma lata de refrigerante.

- Só pode ser brincadeira! Não parece que passamos por isto juntos.

- Não passamos.

- NÃO?

- Você passou. Pura fantasia. Preferi não me envolver no assunto. Evita machucados. Um tubarão…

- Tubarão? Do que você está falando?

- Do mar. Pensei ter visto um tubarão. Mas é uma sacola. Pena. Queria ver um tubarão.

- Então quer dizer que estes 2 anos nã…

- Não significaram nada? Bingo! O inexistente é apenas inexistente.

- Não é inexistente, você sab…

- Tudo fruto de sua imaginação fértil. Caso queira, pode me culpar. Não por contribuição, por omissão. Culpe-me por não intervir. Mas não ouse me culpar pela sua desgraça pessoal…….. E voltamos ao mesmo ponto. Você machucado. Eu, culpado. Por isto prefiro olhar o mar.

- Não. Você é o único que me fala a verdade.  Só não…

- “Entendo como tudo não passou de nada”. Era isto?

- Não com estas palavras, mas sim.

- 2 anos e não aprendeu nada? Triste. Falemos do mar; ele está um pouco agitado hoje, não acha?

- Por que só agora você me diz isso?

- Porque pensei que você também tivesse visto. Pelo tamanho das ondas dá para not…

- Não falo do mar! Falo de mim. Como fui acabar tão frágil, sensível, idiota.

- Estas insinuações de inferioridade não funcionam comigo. Você sabe muito bem.  Não vou dizer que você está errado e lhe elogiar só por isto. Pode desistir.

- Não preciso de elogios. Preciso ent…

- Apenas levantar. Isto que você precisa. Vem, ajudo você.

- Não.

- Ficar sentado onde o passado nos dividiu não é saudável. Vamos.

- Pode ir. Desde que fomos separados este é meu lugar. Talvez por isto tenhamos voltado.

- Tem certeza?

- Sim. Há muito este é meu lugar. Dois anos se passaram. Ainda estou aqui. Não você. Este é meu lugar, onde nasci. E onde ainda vivo. Pode ir.

- Sorrio.

- Como?

- Quando olho o mar. Não notou? Durante toda nossa conversa estive sorrindo.

- Por quê?

- Por você. Foi aqui que você nasceu. No momento que vi aquele sorriso pela primeira vez… Você foi conseqüência deste sorriso.

- Quer dizer que ainda sente algo.

- Não. Mas fico feliz de poder ter passado por tudo ao seu lado. Você sofreu em meu lugar. Enquanto eu, apenas observei.

- Quer dizer que…

- O mar está bonito, não acha? Adeus.

[diálogo sem conexões com a história/estória principal do blog]

 

[O Prazer de uma Ressaca] março 30, 2010

Filed under: Uncategorized — edgeof7thfloor @ 1:41 am

- Bom dia! – dia? Ainda é dia? Podia jurar que tinham se passado semanas desde que dormi. Nossa… Não tenho noção nem da minha humanidade agora, quanto mais do horário.

- Onde estamos? – e como acabei com este hálito? Mesmo tendo acordado agora, não é normal. – Bebi muito? – ok… entendi dor de cabeça. Não precisava ter gritado tanto para me fazer perceber o óbvio. – Aiii…

- Acho que não preciso mais responder. – você só está rindo porque não é sua cabeça a gritar.

- Não… acho que preciso de água agora. – aiiiiii… – E de uma nova cabeça.

- Você não precisa de uma nova cabeça, e sim de um médico. De mim. O melhor cirurgião cardiovascular deste quarto. – FERNANDO? Não que eu não soubesse que era ele, mas não acreditei que fosse. Pensei ser Leo, mas… Ai minha cabeça.

- Ai…

- Você é lindo. – obrigado. Mas não precisa rir tão alto. – Nunca pensei que um dia estaria deitado com você na mesma cama. – é verdade. Não havia notado. Estou deitado em uma cama. Como sou idiota… onde você achou que estava? De pé em uma floresta? Seu burro. – Desde que te vi no aeroporto. Nossa… inacreditável.

- Como viemos parar aqui? – ótimo… Continue assim. Mostrando que não lembra nada da noite anterior. Isso mesmo. – Não que eu não lembre. Claro que lembro. Só quero saber se você lembra.

- Você prefere uma versão compacta ou integral? – prefiro a versão onde fui pedido em casamento e esta é nossa cama. E vou acordar com você ao lado todos os dias a partir agora. Da mesma forma como você está agora… só com esta cueca preta. E… e…

- Integral. – CLARO QUE NÃO. Assim ele vai achar que você não lembra nada, por isso quer saber todos os detalhes. – Compacta. – é… mas assim vai parecer que não lembro nada. E escolhi a com menos detalhes para não gerar desconfianças. – Primeiro a compacta, depois a integral. – isso. Assim ele não saberá o que pensar.

- Na versão compacta você ficou bêbado. – isso eu concluí. Ponto para mim. – Falou sobre seu ex-namorado quase o jantar inteiro. – droga. Isso eu não lembrava. – Chorou, um pouco depois. – CHOREI? Não acredito. – Viemos a este hotel, e estamos aqui, até agora.

- É, você sabe mesmo fazer um resumo. Agora a versão integral. – meu Deus, espero não me arrepender.

- Depois de todo aquele choro e toda aquela bebedeira, tentei levar você para casa. Mas você não quis. Disse que queria muito passar a noite comigo. – nossa… como fico oferecido quando bebo.

[em produção]

 

 
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