coffee and cigarettes

você tem meia hora pra mudar a minha vida.

memórias não póstumas que não são de Brás Cubas abril 28, 2009

Filed under: [almoço em família],[sem título] — edgeof7thfloor @ 12:20 am

                                           

     Se algum de vocês até agora não foi capaz de notar uma leve influencia de impulsividade em minhas ações é bom treinar um pouco de percepção em caça-palavras ou jogo dos sete erros. Acho que ficou bastante evidente. Lembro-me desta impulsividade desde criança, quando… Melhor manter o foco… outro de meus problemas. Depois de toda esta explicação seria algo redundante justificar minha próxima atitude como impensada. E concluindo, é bom eu parar com essa síndrome de Brás Cubas. Mais um pouco dela e podem começar a achar que estou morto.

 - Não é novidade sua falta de educação em não POUPAR – dei o máximo de ênfase à palavra – a lasanha. Pode comer a vontade, não estou com muita fome. Só espero que você deixe um pouco para sua mulher. Afinal, não é fácil suprir as necessidades de um ninfomaníaco com o dobro de seu peso. Principalmente estando de barriga vazia.

 

almoço em família março 8, 2009

Filed under: [almoço em família],[sem título] — edgeof7thfloor @ 12:20 am

                                                                  

 

     Mal consegui dormir. Neste curto intervalo, em que fechei os olhos, minha audição não conseguia se desligar dos diversos sons ao qual não estava mais habituada. Choros de meu sobrinho; gritos de minha mãe com Amanda; choros de meu sobrinho; Leo ao telefone falando algo sobre uma festa. Não consegui entender a conversa. Meu sobrinho continuava a chorar.

     Deitado no quarto de minha mãe, onde adormeci, pude escutar o som dos talheres em seu encontro voraz com os pratos. O almoço se iniciara. Agora meu sobrinho não chorava, mas Rafael, como uma forma de compensar, falava em alto tom. Provavelmente com a boca o mais cheia possível, visto o som embargado de sua voz.

     Respirei fundo e levantei com rapidez. Não poderia demorar. Demorar me daria tempo para pensar. E pensar me faria desistir deste almoço em família. Desistir de sentar a mesma mesa com um ex namorado, uma mãe que o defende, uma irmã com suas teorias mirabolantes, um cunhado mal educado e, ao fundo, um sobrinho escandaloso.

- CHEGOU MEU CUNHADO PREFERIDO! – fiquei tão envolto pensando sobre como pensar me faria desistir que meus pés, involuntariamente, me levaram a sala. – Se não vai me dar um abraço é melhor sentar logo ao lado do seu namoradinho. Não pretendo poupar a lasanha só por você ter passado dois anos fora, comendo do bom e do melhor em Barcelona. – era como o esperado. Rafael disse tudo em voz alta e, como suspeitei, com a boca o mais cheia possível.

 

P.S. para não gerar confusões. Rafael é  pai de Rafinha. Não confundam nesse final.

 

 
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